José Datrino, ou profeta Gentileza, nasceu no interior de São Paulo, em 1917, e sua infância foi marcada pelo pesado trabalho rural ao lado de seus dez irmãos. Apesar de todas as dificuldades, posteriormente, Datrino se estabeleceu como empresário do ramo dos transportes no Rio de Janeiro, até o início dos anos sessenta, quando largou tudo  para seguir sua missão de pregar o amor e a gentileza entre as pessoas. O fato que o fez abdicar de seus bens materiais para seguir em pregação foi um triste incêndio em Niterói, no Gran-Circus Norte-Americano – em 1961, que vitimou cerca de quinhentas pessoas, a maioria crianças.

No local da tragédia, que antes era palco de tanta alegria, José Datrino plantou hortas e jardim e logo se mudou para o local. Além das flores, nasceu ali o profeta Gentileza, que por quatro décadas disseminou mensagens e ensinamentos pelas ruas do Rio de Janeiro.   Sua obra mais conhecida, realizada em fins dos anos 80, fica próximo à Rodoviária Novo Rio, nos pilares do viadulto do Caju. São cinquenta e seis pilastras que exibem, em verde e amarelo, mensagens que criticam o atual modelo capitalista, apontando uma alternativa pautada pelo amor, pela sustentabilidade e pela gentileza social. Os painéis que embelezavam a paisagem do Rio de Janeiro acabaram sofrendo desgastes e o desprezo de órgãos da cidade, culminando com seu apagamento com tinta cinza em 1997, despertando indignação do povo carioca.

Em resposta a esse descontentamento, foi realizado um projeto de revitalização que no ano de 2000 devolveu à cidade os murais do Profeta Gentileza, que ainda hoje estampam nas cinzas pilastras a mensagem de um possível mundo mais colorido, com mais Gentileza.   O profeta Gentileza morreu em 1996, aos 79 anos, e até os dias de hoje é fonte de inspiração para músicos, educadores, cineastas e principalmente para aqueles, que como José Datrino, acreditam na possibilidade de um mundo melhor, de um mundo mais gentil.

 



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